terça-feira, fevereiro 22, 2005

 

Simão

O feitiço virou-se contra o feiticeiro. Simão terá que ter um processo sumaríssimo e ser sancionado com dois jogos de suspensão. Consequente, não poderá jogar contra o Porto. É uma pena, mas é um imperativo de credibilidade mínima dos Senhores Magistrados que compõem o Conselho Disciplinar da Liga de Clubes.
 

Simão

O feitiço virou-se contra o feiticeiro. Simão terá que ter um processo sumaríssimo e ser sancionado com dois jogos de suspensão. Consequente, não poderá jogar contra o Porto. É uma pena, mas é um imperativo de credibilidade mínima dos Senhores Magistrados que compõem o Conselho Disciplinar da Liga de Clubes.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

 

Moral da história

Nestes 2 anos e meio, a coligação apresentou um projecto global sério e ambicioso. Mas houve três áreas centrais em que falhou por incompetência: economia, educação e justiça. Muitos do quadros do PSD recusaram-se a colaborar com o governo, porque iam ser tempos difíceis. No momento mais complicado, atiraram Santana Lopes para o meio da arena e desapareceram de cena. É certo que Santana Lopes também ajudou à festa. O resultado é justo por duas razões: o PSD mereceu a derrota; o PS, que nos colocou nesta crise, merece agora ter a responsabilidade absoluta de nos tirar dela.
 

A mudança

Do dia de ontem:
1) Parabéns ao PS! Uma vitória clara.
2) Parabéns a Jerónimo de Sousa.
3) Parabéns ao BE.
4) Parabéns a Portas. Não atingiu os seus objectivos, mas, no contexto das eleições, não considero um mau resultado. Penso que não terá tido muito menos votos que em 2003. Tem sido um excelente líder, demonstrou maturidade e solidez para governar, mas foi penalizado. O PP tem de o segurar, sob pena de voltar à insignificância em que o deixou Monteiro. Fez bem em demitir-se, com um grande discurso.
5) Santana Lopes, o grande derrotado! Levou o PSD para níveis nunca vistos. Demonstrou que é fraco, mas também não teve a vida fácil. Dificilmente se aguentará no posto.
Espero que Sócrates consiga uma boa equipa. Portugal precisa de um muito bom Governo, com estabilidade. Por isso, e tendo em conta as circunstâncias, talvez este seja um bom cenário. Temos um Governo que tem tudo o que precisa para dar estabilidade ao País. Sem se esquecer que, apesar da maioria absoluta, a qualquer altura o PR pode decidir consultar o Povo. O Governo vai ter o bloco sempre a fazer barulho, o que forçará políticas menos radicais.
Espero que Sócrates consiga, de uma vez por todas, controlar a imprensa, um dos grandes males deste país. Tenho esperança, apesar do que vi ontem...

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

 

Luto pela irmã Lúcia

Luto significa "sentimento de pesar pela morte de alguém".
Luto nacional significa "cerimónias oficiais de pesar pela morte de alguém muito ilustre ou pela ocorrência de grande tragédia no país".
Cfr. Dicionário da Língua Portuguesa PContemporânea da Academia das Ciências de Lisboa

Algumas personalidades (Pacheco Pereira, Vital Moreira, entre outros) criticaram o luto nacional que Pedro Santana Lopes se propôs declarar. Ora, das duas uma: ou esses críticos acham que a irmã Lúcia não é uma pessoa muito ilustre para a maioria dos portugueses, ou acham indiferente que o comum dos portugueses consisdere a irmã Lúcia uma pessoa muito ilustre.

Se for o primeiro caso, parece-me que é um problema de ignorância. Esses "iluminados" não têm a noção do que são os sentimentos de muitos portugueses, que admiram profundamente a irmã Lúcia. Basta ir a Fátima num dia 13 de Maio. Não é preciso aderir. Basta ir e ver. Não dói nada!

Se for o segundo caso, então temos um caso de sobranceria. Aí não há nada a fazer.

E não venham com a história da separação entre o Estado e a Igreja. A Igreja não pediu nem tem interesse nenhum no luto. Outros falam numa desejada separação entre o Estado e a sociedade civil. Fantástico, então o Estado passa a ser uma figura meramente institucional. Se é assim, então sejamos coerentes: acabemos o feriado do Corpo de Deus, com a Páscoa e mesmo com o Natal. Semelhante positivismo, só mesmo na União Soviética!

Não tenho dúvidas que daqui a 100 ou 200 anos a irmã Lúcia será mais recordada do que Amália e, aquando da morte desta, os portugueses tiveram direito a três dias. O luto não é para agradar aos mortos, mas para respeitar o sentimento dos vivos.
Podemos questionar se dois dias é adequado, se deveria ser só um ou se deveriam ser três. É subjectivo, tal como quase tudo na vida.
 

Os líderes do PS ao lado de Sócrates

José Sócrates, com voz inflamada, gabava-se de ter ao seu lado Mário Soares, António Guterres e Ferro Rodrigues. Esqueceu-se de um: Jorge Sampaio!
Concluiu, por fim, que aqueles não têm vergonha de estar ao lado do PS. Concordo, não tem vergonha!
 

Vital Moreira, Octávio Machado, Fernandez e Mourinho

VItal Moreira faz um link para o blogue de Bruno Sena Martins, em que este faz um paralelo entre Octávio Machado e Santana Lopes.
Na falta de Melhores argumentos, Vital Moreira volta à carga. Não votem no PSD, porque Santana Lopes é mau. A comparação é sedutora. O problema é que, se Santana Lopes é um Octávia, Sócrates é um Fernandez. A diferença entre os dois é que Santana tem alguns Mourinhos na sua equipa e Sócrates só tem uns "Julias".

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

 

No-Portugal

O artigo de Vasco Pulido Valente apela ao não voto no PSD, fiel a uma ideia de amor ao próprio partido. Segundo VPV, Santana é mau e é bom para o partido seja afastado. O que VPV não refere é se é bom para Portugal que o PS ganhe as eleições. VPV, que apela ao passado de Sá Carneiro, esquece o princípio do fundador: primeiro Portugal e só depois o partido.

Vital Moreira aproveitou logo na ideia para acentuar o apelo ao voto no PS. Esta campanha do PS acenta numa única ideia sólida: No-Santana. Enfim, quando a fome aperta, a desgraça alheia é um consolo!

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

 

Público volta à carga

Na sequência das insinuações sobre a vida privada de Sócrates, é fantástica a fotografia que o Público colocou ao lado da notícia de que José Sócrates aceita governar sem maioria.
A notícia não é notícia. A fotografia não tem nada a ver com a notícia. Mas favorece Sócrates, sem dúvida.

 

O apelo surdo ao absentismo de Jorge Sampaio

Como diz o Miguel, Jorge Sampaio é neste momento um factor de instabilidade. Mas eu vou mais longe. Jorge Sampaio é um factor de divisão.

Vejamos.

As eleições europeias ocorreram a meio da legislatura, tendo os partidos de gorverno concorrido em coligação. Como é tradição na europa, os partidos de governo tendem a ser castigados a meio da legislatura, já que é um voto que dá um sinal à governação e não compromete muito. Porém, um grande nível de abstenção impediria uma leitura política dos resultados. Uma grande abstenção só favorecia CDS e PSD.

Nessas eleições compreendia-se a atitude de abstenção, uma vez que todos os partidos sem excepção se tinham demitido do sentido daquelas eleições. Ninguém falou da Europa e dos seus projectos. Não obstante, Jorge Sampaio não se calava com os apelos agressivos ao voto e com autênticos insultos a quem não se propunha votar.

Estamos agora em eleições legislativas, muito mais importantes para a vida dos portugueses. Os eleitores assumidamente descontentes já decidiram o seu voto. Os indecisos não se revêm no estilo trapalhão de Santana, nem muito menos no discurso inócuo do PS. E quanto mais a campanha avança, mais votos o PS perde. Apesar de tudo, a abstenção favorece novamente a esquerda, já que, à medida que as pessoas vão ganhando consciência, tendem a decidir-se mais pelo CDS e PSD do que pelos outros partidos. Aliás esta é a razão que levou Sócrates a recusar mais debates.

Independentemente disso, estas são umas eleições em que é mais importante do que nunca o envolvimento dos cidadãos. Agora é que era necessário aquele discurso unificador de Jorge Sampaio e, no entanto, não o ouvimos. Este silêncio não pode deixar de ter um significado. Constitui um verdadeiro apelo à abstenção, em benefício do PS.

Jorge Sampaio passou a ser um factor de divisão. O problema é que a sua única função é a de unir.

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

 

4 - 2 para Santana Lopes

Insinuações sobre a vida privada:
Sócrates não conseguiu explicar porque é que a campanha de Santana é má. Foi demasiado vago e repetitivo. Limitou-se a tecer juízos de valor sem ir a factos. Santana quase que nos fez acreditar que não fez insinuações e que só ele é que é alvo de boatos. Mostrou mais estofo do que o seu adversário. Como Sócrates até tinha razão na questão de fundo, nínguém se adiantou no marcador: 0-0;

Impostos:
Sócrates não explicou como é que é contra a descida de impostos e propõe manter as actuais mexidas no IRS. Disse ainda que o eventual aumento de impostos não assegura o aumento de receitas, mas não foi capaz de abordar a questão inversa: a descida de impostos pode fazer crescer a receita? Também não conseguiu explicar aonde vai buscar receitas para financiar o aumento de despesas que propõe. Foi básico!
Santana mostrou que as receitas estão a aumentar fruto de um aumento da eficácia da máquina fiscal e que se calhar uma redução de certos impostos pode fazer crescer a receita. Defendeu a mexida no IRS, no imposto automóvel e no imposto sobre os imóveis: 1 - 0 para Santana

Luta contra a pobreza
Sócrates não explicou porque é que estas pensões devem ter tratamento tão diferenciado em relação às do regime contributivo. Voltamos a entrar no esquema dos rendimentos garantidos pelo Estado, em detrimento das contrapartidas mínimas garantias. Direitos sem deveres. Também não explicou como se financia essa solução.
Santana não foi capaz de desmontar o pensamento perverso que está subjacente a esta proposta.
Mantém-se em 1 - 0.

Salários da função pública
Ambos propõem aumentos com moderação. Sócrates não explicou em que áreas é que vai reduzir postos de trabalho na função pública. Santana não conseguiu aproveitar essa lacuna. Santana, por seu turno apresentou uma ideia muito mais interessante que é a de reduzir as despesas operacionais como condição de manutenção dos postos de trabalho e de aumentos salariais. Esta é uma ideia mais exigente, concreta e produtiva. 2 - 0 para Santana.

Idade da reforma
Ambos apresentaram ideias semelhantes e relativamente vagas. Sócrates mostrou relutância quanto aos estímulos às pré-reformas e reformas antecipadas. No entanto, não disse nada quanto às consequências que isso pode ter em termos de desemprego. Santana não aproveitou a deixa...
Mantém-se 2-0

Prioridade ao emprego
Sócrates apresentou ideias e objectivos claros. 25.000 estágios financiados e 1000 gestores para PME's. Não explicou como é que é possível criar 150.000 novos postos de trabalho. Santana foi baralhou-se a si próprio limitando-se a dizer que algumas destas ideias estão em curso e que nos tempos do PS também houve uma grande percentagem de desemprego. Não teve a coragem de assumir que o desemprego não é ainda um problema social grave em Portugal. Não aproveitou a deixa para explicar que a proposta dos 1000 gestores é uma adulteração do funcionamento do mercado. Perdeu uma grande oportunidade de pôr a nu o flop da principal área de campanha do adversário. 2 - 1 para Santana.

Co-incineração
É um tema complexo e difícil de apresentar num debate destes. Sócrates diz que o problema não foi resolvido. Santana defende-se com as populações e associações ambientais. O que Sócrates não explicou é porque é que a exportação dos resíduos é uma má solução para Portual. Estava a jogar em casa e perdeu a oportunidade. Talvez por não ter razão. Além disso deu uma imegem de teimosia e arrogância. Golo na própria baliza!
3-1 para Santana.

Valores sociais
Quanto ao aborto ambos disseram o que já se sabia. Só com referendo. Estiveram ambos bem.
Nas restantes questões Sócrates defendeu-se bem, alegando estarem fora da agenda política. Santana esteve bem ao explicar que esses assuntos fazem parte da agenda internacional e que vão acabar por chegar a Portugal. Foi um tema inconclusivo.
Mantém-se 3 - 1

Vitórias e derrotas
Sócrates foi mais ousado a pedir a maioria absoluta. Santana aproveitou bem a deixa e explorou o facto de o PS não deixar claro o que vai acontecer se não a tiver. Apesar de ser normalmente o seu forte, Santana foi pouco ousado quanto aos seus objectivos e não convenceu que pode ganhar. Golo na própria baliza.
3 - 2

Declarações finais
Sócrates teve mais tempo e não aproveitou a oportunidade. Foi pouco sistemático e confuso. Santana por seu turno apresentou um discurso mais consistente. Começou por descredibilizar o adversário, apresentando-o como sendo o mesmo grupo de pessoas que abandonou o país em 2002. De seguida mostrou-se firme e deteminado quanto aos seus objectivos. Há três frases que ficam no ouvido:
"Os governos são avaliados em 4 anos e eu fui avaliado em 4 meses."
"As nossas medidas não foram questionadas."
"Contem comigo. Eu atrevo-me também a dizer que conto convosco.”

Resultado final: 4 - 2 para Santana.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

 

Entregar o ouro ao bandido

Na sequência do que diz o Miguel, não consigo deixar de manifestar a minha total indignação em relação ao último cartaz de rua do PSD. Trata-se de uma imagem de alguns ex-ministros do PS acompanha pela frase: "quer mesmo que eles voltem?"
Teoricamente as coisas deveriam ser ao contrário. Os ataques pessoais acontecem normalmente quando não há ideias e projectos para questionar. Ora, o Gevrno da coligação apresentou há dois anos um projecto político extremamente ambicioso. Desse programa, um parte substancial das propostas chegaram mesmo a concretizar-se; outras estão em curso e em 2 ou 3 áreas foi uma desgraça. No programa político do PS, não são questionadas as linhas essenciais do actual Governo. Por outro lado, este programa político não corresponde a um verdadeiro projecto, mas assenta num conjunto de chavões e lugares comuns, uns contraproducentes, outros impossíveis, outros ainda de tal forma vagos que nem contam para o campeonato.
A PSL bastava falar do projecto em curso e da necessidade de continuação. Nesse caso, o PS ficaria a falar sozinho, ou era obrigado a entrar no campo dos ataques pessoais.
Ao fazer tudo ao contrário, PSL está mesmo a entregar o ouro ao bandido.

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